Exercício #1

junho 1, 2016

Avistaram-se na praça, a mesma praça a qual ela não havia retornado e onde ele sempre estava.  Baixou os olhos, miragem ao longe. Perto demais. Como eu disse, avistaram-se. Imediatamente se fez nela a memória de um sorriso de canto de boca. Ninguém escapa a um encontro. Lançou-se. Não ao encalço, mas ao acaso. Mentia. Esbarrou, sorriu, acenou. As conversas desconfortáveis são repletas de amenidades e cheias de querer saber mais, de procurar importâncias. De resolver desconforto em enlace descrente da necessidade de explicação. As vontades não são de dívidas, mas de diluição.

– Eu estou com alguém. Hoje.

Desencontro. Ao contrário do que tendemos a acreditar, a casualidade não preenche expectativas. E ao destino do flâneur âncoras escapam. Às vezes é preciso agarra-lo – o destino- com as duas mãos duras, areia. Há sempre algo que se perde e outro algo que fica na palma. Possibilidades. O acaso não serve ao querer, repito. Foi, partiu. Antes que ficasse. Cansou de fingir acidente. Desavistaram-se, terra à vista. Nada disso aconteceu.