Glacial

fevereiro 5, 2015

Então ele veio. Oito meses depois, meses que ela fingiu não contar, mas contou sim, em segredo, batendo todo dia no fim do dia na boca do estômago. Ele veio por ela, embora dissesse que não. Os homens sempre acham que são bons em esconder seus desejos. Mas não são. Todas nós sabemos disso.

Então ele veio, trazendo o inverno. Da outra vez era verão e encheu sua vida de cor. Não mais. Agora era inverno que queria fazer as vezes de amor. Mas, meu bem, o meu amor hiberna no frio, quis dizer. Não era o frio em si, mas o braços quentes que ele trazia consigo e que eram quase como se ele dissesse a ela que os braços dela não eram bons para o aconchego. Não eram mesmo, ela sabia. Tinha esperado muito tempo, muito tempo antes daqueles oito meses, por alguma coisa como ele. Já nem achava mais que. Na verdade, quase havia se perdido. Mas encontrou.

Mas dessa vez era inverno e ela não o veria. Porque era fria e seus sorrisos caem bem no verão e dão vontade de sorvete no meio da tarde escaldante. Mas não servem a ninguém quando faz quatro graus e eles precisam decidir que bebida vão levar enquanto fingem que não se interessam um pelo outro. Ela sabe. Ela viu muitos como ele antes, exatamente como ele, e se apaixonou por todos, sem tirar um. Às vezes a gente tem uma história dentro da gente e ela é só isso. Uma história – disse para si mesma, sentada na frente do aquecedor.

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