Retalho

julho 31, 2014

Como elástico que
de tanto esticar
arrebenta

Dentro de mim
pulsa um músculo tão desgastado e
puído
Que mal se presta
a ficar no lugar

Se me viram do avesso
é capaz da costura
mal feita
se desfazer
Só de olhar.

Já não existe nada que seja confortável.

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Uma carta para Izabel

julho 18, 2014

Desde aquele dia, Izabel, eu me pergunto se os nossos beijos não foram, talvez, confortáveis demais. Porque eu tentei muito, você sabe, encontrar conforto em beijos desajeitados. Eu tentei tanto que já nem me sabia capaz. Eu tentei tanto que insisto em permanecer de mãos dadas mesmo que não pareça a coisa certa a se fazer. E não é justo, Izabel, que tenha sido com você. É como se houvesse dentro de mim uma obrigação moral de não encontrar conforto senão nas mãos que segui segurando. Em vão. Não nas suas. Me embrulha o estômago, sabia? O jeito que as coisas parecem complicar e, ao mesmo tempo, a possibilidade de que sejam passageiras. E que a gente não ame, nunca mais, ou que ame demais.