Platônicas

setembro 10, 2012

Entre discussões metodológicas, devaneio. No meu delírio são duas bicicletas que ocupam o espaço da sala, uma ao lado da outra. Você me acorda cedo no sábado para ir à feira. E eu finjo desgosto, embora secretamente goste do ar da manhã, do cheiro das hortaliças e de comer maracujá doce ao chegar em casa, antes de fazer o almoço. Você evita me olhar, dormiu no outro cômodo, o seu sorriso envergonhado casa bem com a sua voz baixa de quem evita um contato qualquer que cruze alguma linha imaginária que implique qualquer coisa além do aceitável entre nós dois. Eu sorrio, porque gosto da doçura do indizível. Da leveza pesada que corta o encontro de olhares quando alguma das partes supõe o desejo de encontrar qualquer pista que signifique doçura. Desejo de não realizar o desejo. Desejo de desejo. Me regozijo na fantasia. Suspiro baixinho. 

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