Um amor para desejar

novembro 29, 2011

Um amor que tenha vontade de escutar qualquer música que lembre sol e piscina num sábado de manhã. Um amor que faça piqueniques na beira do córrego, mesmo que às vezes prefira dormir até mais tarde. Nunca mais dormir até mais tarde. Porque um amor é dessas coisas que tem prazo de validade. Um amor com cheiro de cloro e uma trilha sonora brega do último cd de fellini. Um amor que viaje para deitar de costas nas pedras das cachoeiras de pirinópolis com um isopor cheio de cervejas. Um amor que ria com os amigos. Um amor que devore mais livros e goste de palavras bonitas. Um amor que plante uma horta e tire fotos de flores. Um amor que goste de gatos. Um amor que goste de cachos. E de sol. Um amor que goste comigo. Um amor que possa ser vários. Um amor pra gastar a tarde.

Memoir

novembro 27, 2011

Lembra?

Aquele dia

Que fez tanto frio

Na tua cama?

Nota solta sobre a depressão

novembro 24, 2011

Olha, o que eu queria te dizer é que não existem fatos para serem analisados, só o que existe é isso aqui, e isso aqui é muito pouco, quase nada, para ser honesta. Daí que eu não tenho nada para falar, porque eu já sou tudo o que tenho, compreende? Eu não posso inventar qualquer meia dúzia de poesia pra fazer mais vida na minha vida, porque nada disso a tornaria mais do que exatamente isso o que ela é. E te digo que por vezes ela quase nem é. Eu podia deitar no seu colo e chorar contando sobre essa sensação que não me abandona, essa de estar matando tempo entre o momento que eu nasci e o momento que vou morrer. Eu podia chorar e você podia me fazer cafuné, mas nada disso faria a minha vida ser outra.  Porque não vai passar. Você sabe disso talvez tanto quanto eu. Que não é uma fase. Que não é um dia ruim. Que eu já nem penso se é ruim ou bom. É só isso aí, o que tem para hoje, para ontem, para amanhã. Para sempre. Então desculpa se eu prefiro assim, comigo mesma. Porque não vale o esforço de dividir com alguém se a gente sabe que irremediavelmente essa sensação persiste. Não é um abraço, um colo, uma caneca de chocolate quente que vão diluir essa falta de vontade, de perspectiva. De vitalidade.  Essa flacidez moral da minha psique. Essa irresistível atração pela inércia e pelo repouso aliada ao que, se por algum momento isso voltasse a importar, eu diria que é azar. Deve ser exatamente isso, sabe, talvez eu nunca tenha me importado, nem quando me importei. Talvez nunca tenha sabido me importar. Mas nada disso vai fazer mudar essa circunstância que é a minha vida, e as coisas que acontecem com ela, e as coisas que eu faço não faço. Esse conjunto pueril de tentar negar o que é apenas uma espera. Não por alguém, ou por qualquer coisa que fizesse tudo ser outro. Nunca foi realmente por isso que eu estava esperando. Acho que sabemos, eu e você, que o que eu realmente sempre estive a espera foi do fim. De qualquer tipo de arrebatamento silencioso, desses que ninguém nota, nem mesmo os escolhidos. Uma espécie de ato santo último, que me livraria de ser exatamente quem eu sou.  A redenção final. Não há sentido sequer em buscar sentido: a vida não é mais que um interlúdio da morte.

Simples

novembro 4, 2011

Ela me chama de moça bonita.

E eu derreto.

Ela é tão linda que às vezes duvido

Que goste mesmo de mim.

Mas ela me chama de moça bonita.

E eu derreto.