Do auto exílio

outubro 1, 2011

Exilar-se é perder a matéria da poesia.

Que escorre alagando as ruas chuva após chuva

E derrete lenta lânguida a cada dia sol.

Engana-se aquele pensa

que se autonomiza a poesia.

A poesia habita os corpos

passageiros

Por onde passa o poeta.

A poesia está nas frestas,

nunca das ruas,

mas daqueles que por elas passam.

Não brotam histórias de dentro daqueles que as escrevem

antes: são sussurradas

Por aqueles que as vivem

E as dividem

Noites adentro.

A poesia é feita de gente

Do gosto ou do desgosto por outras gentes.

Mas acima de tudo:

De gente.

 

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2 Respostas to “Do auto exílio”

  1. Carla said

    Pata, acho que esse é um dos melhores que li aqui. Fico com essa parte ecoando em mim:

    “A poesia habita os corpos

    passageiros

    Por onde passa o poeta.”

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