Cotidiano

março 31, 2011

O azul e o branco em toalhas de mesa plásticas quadriculadas. O vaso de margaridas, ridiculamente amarelo. Fragmentos amorosos na porta da geladeira:

Mas eu entendo que no encanto a gente procura por qualquer poeira que nos possa fazer fantasiar por mais alguns dias. A gente aceita qualquer beijo, porque aviva uma centelha qualquer que distorce a realidade de um jeito que parece ácido. É por isso que eu não te dou a poeira, o beijo o ácido. Eu sei que você quer achar que os beijos, os toques, o sexo, tudo isso que a gente já viveu tantas vezes significam alguma coisa. Porque tem tanto tempo que a gente se divide por aí no fim da noite, não é? Que não pode ser nada. Eu sei que você pensa assim. Mas friamente quando eu olho para dentro de mim, e isso é difícil de admitir, veja bem, quando eu olho para dentro de mim eu vejo que não há nada, nunca houve nada, por você. Por nós. Eu queria, te juro, que houvesse alguma razão escondida. Mas não há. As nossas noites, todas, me desculpa agora por estar dizendo isso, foram só tédio. Meu tédio de uma vida de amores não correspondidos e de abusos. Os que eu sofri, os que eu cometi. Eu sou assim, uma pessoa cheia de tédio.

 

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Uma resposta to “Cotidiano”

  1. Pedrinho Grana said

    Foda!

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