My Blue Heaven

junho 19, 2010

Era o melhor lugar para se estar.

Há qualquer hora, de qualquer tempo.

De qualquer uma que eu fosse.

Ainda é.

[Saiwalô sempre se enamora das almas presas]

Between The Bars

junho 1, 2010

– Poucas pessoas vêm a praia em dias assim.

– Não sei por quê. É bonito mesmo assim.

– É. É um pouco triste, né. De um jeito preto e branco.

Os cabelos dela voavam em direção ao corpo delgado dele, sentado ao seu lado.

– Você acha? – ele sorriu.

– Um pouco – olhou sorrindo de volta para ele.

– Eu gosto de você – trocaram um beijo leve.

– É assim com a gente, né? – sentiu o cheiro dele com tanta força que achou que ia ficar para sempre preso nos pulmões. Deve ter ficado mesmo.

– Assim como?

– Ah, essa coisa. De amor contingente. – segurou a mão dele como se fossem velhos amantes – Eu vou para um lado, você vai para outro, e de repente a gente se encontra. E vive alguns instantes como se nunca tivêssemos nos separado, sem nem se importar com quem somos. – riu.

Ele a beijou na testa e a aninhou nos seus ombros, quase melancólico.

– Acho que sei por que isso.

– Nem sei se precisava ser assim. Talvez tivesse outra idéia em mente quando falei que queria te ver. Mas.

– É até melhor assim, sabe. É só por isso que é tão bom quando a gente se encontra. Porque nunca tivemos tempo para estragar tudo. Para ficarmos juntos, brigar, amornar. Não, nunca tivemos tempo para estragar tudo. – beijou ele no pescoço – E aí você aparece, me dá umas lembranças bonitas e me faz lembrar de ter vontades. E medo. E raiva. Me dá também um par de dias angustiantes. É bonito. De um jeito preto e branco.

– Eu não quero te deixar ir – lamentou, soturno.

– É justamente isso. É isso que eu tento preservar. Eu sei que vou chegar em casa e querer te ver de novo. E você vai jogar comigo. E eu vou jogar de volta. E eu vou querer morrer e fazer diferente, deixar você ganhar. Mas aí você iria embora. Você sempre vai. Eu também. Eu não sei em que medida você é capaz de perceber o tamanho da diferença que falta/sobra na fôrma das nossas vontades. É por isso que eu preciso ir pra casa e me encher de silêncio, me encher de ausência e de expectativas frustradas. Até não querer mais nada.

– Isso é um adeus?

– Acho que sempre é, com a gente. Um adeus que dá vontade de ser até logo, mas não é. Pelo menos até deixar de ser.