Complexo de Afrodite

fevereiro 9, 2010

– Você fez de novo, Estela

– O quê?

– Na última noite, você fez de novo. Por quê?

– Estava me defendendo. Acho.

– Se defendendo? Se defendendo de quê? De ser encantadora para alguém?

– É. Eu não sei, Amanda, naquela hora eu estava dançando e ele não podia tirar os olhos de mim. Eu estava me sentindo tão, puta merda Amanda, eu estava me sentindo TÃO viva.

– E então você beijou ele.

– É, então eu beijei ele. Era só um beijo, era só o que eu queria dar para ele. Um beijo terno, macio, confortável, por ele ter sido tão doce. E depois tudo desabou, Amanda. Eu desgosto com o mesmo temperamento que me faz gostar. E o resto você já sabe, querida, eu briguei com ele, mandei ele embora. Porra, eu nem conhecia ele!

– Eu não sei se eu te entendo. Sei lá, você podia estar agora com o estômago apertado, podia estar tendo um orgasmo com ele pela primeira vez, sendo amada. É tudo o que eu queria.

– Eu também, às vezes, mas não ali, não com ele. Não sempre.

– Não?

– Acho que não. Ou sim. Vai ver só não achei as minhas condições ideais – acendeu um cigarro – Sabe, Amanda, os começos são lindos. O primeiro beijo, a primeira vez que a gente faz sexo com alguém novo. Mas depois…

– Depois é tudo confortável demais para você, não é?

– Não  é isso – tomou a dose de vodka num gole só – É que depois eu não tenho nada novo para dar.

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3 Respostas to “Complexo de Afrodite”

  1. Carla said

    então ela desaba: era preciso ser novidade para se sustentar. desabar na intimidade: dói?

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