Sobre Cidades

dezembro 18, 2009

Brasília me atravessa. Brasília com sua retidão e seus destinos traçados, inexoráveis, está inscrita no meu corpo e são seus eixos cartesianos que me dividem em norte-sul, leste-oeste. É dela também a minha maneira de enxergar as cores em dias de sol. Mas eu não pertenço a Brasília, Brasília me corta, me recorta e me impõe um destino tal qual seus monumentos de concreto curvo. Em toda sua dureza Brasília tenta me enlaçar, fazendo pulsar em mim o que há de si. São Paulo me fagocita, não é possível estar em São Paulo, há de se ser São Paulo, mesmo que não se queira. A cidade se impõe, de fora para dentro, e só o que resta é diluir-se e espalhar-se em ruas, avenidas, prédios, semáforos, calçadas, pessoas, caos, pressa. São Paulo é uma bolha dentro da qual me sinto desnuda, vulnerável, temerosa de que os edifícios se tornem escombros sobre mim. Brasília me aconchega de um jeito sufocante, São Paulo me desfaz, impotente, e eu me vejo não pertencendo a lugar algum.

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Hiato

dezembro 11, 2009

Sinto Saudades

De quando coisas

Bonitas me escapavam

Das pontas dos dedos.