Solilóquio #1

outubro 29, 2009

dinossauro

 

 

 

Eu vou me deitar porque tenho dores no corpo e tomo remédios que não me anestesiam o suficiente. E aí eu me pego pensando se o que eu fiz foi justo, se eu fui justa. E quando eu penso racionalmente eu sei que sim (do meu jeito torpe) e eu, você sabe, sou uma pessoa muito racional, exceto quando não sou. E eu olho pro último presente e me retorce as vísceras saber que agora ele é o meu único presente com você, não há mais presentes para nós. E eu fico esperando por um futuro que eu cultivo sob a sombra de um passado que eu nem sei mais o que foi. Tem tanta esperança dentro de mim que eu nem sei o que estou esperando.

Surrealismo em pedaços

outubro 28, 2009

– Eu tenho medo e o medo, você sabe, é como pequenos insetos te devorando. Eles dizem que eu não sou alérgica, mas eu sinto como se fosse.

– Do que você tem medo?

– Ah, de muitas coisas, acho. Em diferentes níveis. Tenho medo de nunca mais emagrecer, tenho medo de nunca mais dormir, ou de não acordar. Tenho medo de ficar sozinha e de ficar junto também. Eu tenho muito medo e ele me devora em pequenas picadas que logo ficam vermelhas e inchadas. E elas coçam mais do que qualquer outra coisa no mundo.

Amor

outubro 26, 2009

Quando você quiser.

Se você quiser.

Sexo em três atos

outubro 13, 2009

Ato I

Melancolia

Fantasiar com tardes

longas e quentes

com cheiros verdes e

culinária experimental.

Baunilha no teu corpo,

O feijão que queima na

panela esquecida.

E o arrepio tórrido

dos meus sentidos tocados

descobertos, nús, úmidos.

Ato II

Saudade

Daquela coisa quase familiar, de te esperar chegar do trabalho e te levar para a cama. Das roupas que ficavam pela sala enquanto você me levava para o quarto e tirava meus sapatos. Aquelas botas que davam um puta trabalho para tirar. O prazer quase secreto de acordar cedinho só para te ver trocar de roupa, de quando você dormia só duas horas por noite para não perder nem um centímetro do meu corpo.

Ato III

Desejo

Eu o amo. Acho. Ele sempre foi tão doce comigo, tão terno. E o cheiro de tudo que ele evoca toma conta de mim. E tudo fica mais gostoso. Nostálgico. O sexo mais doce que eu já tive, tão cheio de esperas, como se fosse flores vermelhas, tão não consumado e ainda assim. Eu anseio secretamento que ele se torne destino.