The Hours

julho 21, 2009

– Escuta – ela cruzou as pernas em cima da cama coberta com um edredom macio.

– An? – ele, sem camisa, desviou o olhar da televisão e sorriu para ela. Estava bonita com o suéter preto, a calcinha preta , as meias listradas. Meias três quartos listradas, como ela gostava de usar.

Ela ajeitou o cabelo curto, castanho, e pegou nas suas mãos, as dele:

– Olha – soltou pesadamente o ar -, eu não posso mais ficar com você.

– Como é que é?

– Eu não posso mais ser sua namorada.

Ela soltou as mãos dele e segurou a ponta dos próprios pés: vermelho, marrom, vermelho, marrom; com a cabeça  abaixada. Fitou-o com os olhos mareados e disse:

– Eu vi um filme ontem que falava que é preciso ter muita coragem para enfrentar os sentimentos que já não temos. É isso o que eu estou fazendo, sendo corajosa e encarando todos aqueles sentimentos bonitos, estou encarando a ausência deles, o fato de que se foram.

Ele se levantou sem dizer nada, vestiu a camisa branca e foi embora. Talvez ele também se sentisse não se sentindo, como ela. Ela levantou, pegou um cigarro no parapeito da janela, dia claro, azul, frio. Deitou-se na poltrona salmão e soltou a fumaça devagar, como que para deixar ir o que doía. Mas não vai, ela sabia, a dor nunca se vai realmente. Lembrou-se de outra tarde como aquela quando a moça mais bonita que já havia visto lhe perguntara se ela queria ser sua namorada. Ela olhava para o céu quando de repente disse:

– Namora comigo?

Lembrou-se daquele sentimento que havia sido o mais lindo do mundo. Já não estava lá. Acendeu mais um cigarro. Será que seria assim com ele? Achava que sim, esperava que não. Pensava agora no rapaz que cheirava a cigarros de morango. Ainda gostava dele, sentia palpitar o coração só de lembrar o cheiro. Vai ver era isso, esse o motivo de deixar as coisas em aberto, de não consuma-las. Talvez assim elas doessem menos na memória, ainda que se tenha a certeza de que elas não vão acontecer novamente. Ela bateu as cinzas no cinzeiro, era um dilema cruel. O que podia viver versus o que podia manter. E se lembrou de ter lido sobre um povo que acreditava que a humanidade havia sido criada sob uma árvore de tamarindo. É lindo, mas azedo.

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À toa?

julho 21, 2009

Super não resisti.

Silêncios

julho 7, 2009

Muito pouco para dizer. Muito por sentir. Dentro de mim as palavras embotaram, empelotaram, massa que desandou. A vida já foi melhor, antes da massa se grudar nas paredes do estômago, das vísceras, e só sobrar esse engasgo de mim dentro de mim mesma. Será preciso deixar de molho ou, que sabe, mais drasticamente, ingerir algum corrosivo, copo grande e cheio de remédio que, mesmo quando mata, melhora.

Recomendação

julho 2, 2009

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Só uma coisa a dizer: assistam, assistam muito.