Ela
fevereiro 13, 2012
Ela queria encontrar o amor no fundo de uma xícara de café. Não arriscava nas folhas de chá, porque bem sabia que elas são caprichosas. O café não, o café é a bebida dos pragmáticos, sempre vai direto ao ponto.
Xícara pós xícara ela procurava, até mesmo nos copinhos de plástico durante o expediente. Um dia parou. Ouviu dizer que a cafeína aumentava as palpitações do coração e roubava o sono dos incautos. O café era um arremedo de amor.
Ainda pensa, de vez em quando, se o seu amor não está só esperando no fundo de uma caneca. Desiste, o café é a bebida dos pragmáticos, o simulacro do romance no dia-a-dia-apressado. Não era, ela mesma, um deles.
Ela range os dentes para não se perder procurando o amor em engodos, tem medo de não encontrar.

