Sumiço
Novembro 24, 2009
Sei que sumi daqui. Ando vivendo dias conturbados, meu inferno astral já começou, a vida tá uma bagunça e o luto anda fazendo parte dos dias um bocado.
Eu tinha um monte de histórias para postar, mas elas foram atropeladas pela morte de um bom amigo. Ainda estão na minha cabeça, virão à tona novamente no tempo certo. Gosto de dar satisfações a quem me lê, porque gosto que me leiam.
Sinal de fumaça
Novembro 17, 2009
Só avisando que eu voltei. Viva.
Fui…
Novembro 3, 2009
Fui viajar. Volto depois.
Solilóquio #1
Outubro 29, 2009

Eu vou me deitar porque tenho dores no corpo e tomo remédios que não me anestesiam o suficiente. E aí eu me pego pensando se o que eu fiz foi justo, se eu fui justa. E quando eu penso racionalmente eu sei que sim (do meu jeito torpe) e eu, você sabe, sou uma pessoa muito racional, exceto quando não sou. E eu olho pro último presente e me retorce as vísceras saber que agora ele é o meu único presente com você, não há mais presentes para nós. E eu fico esperando por um futuro que eu cultivo sob a sombra de um passado que eu nem sei mais o que foi. Tem tanta esperança dentro de mim que eu nem sei o que estou esperando.
Surrealismo em pedaços
Outubro 28, 2009
- Eu tenho medo e o medo, você sabe, é como pequenos insetos te devorando. Eles dizem que eu não sou alérgica, mas eu sinto como se fosse.
- Do que você tem medo?
- Ah, de muitas coisas, acho. Em diferentes níveis. Tenho medo de nunca mais emagrecer, tenho medo de nunca mais dormir, ou de não acordar. Tenho medo de ficar sozinha e de ficar junto também. Eu tenho muito medo e ele me devora em pequenas picadas que logo ficam vermelhas e inchadas. E elas coçam mais do que qualquer outra coisa no mundo.
Amor
Outubro 26, 2009
Quando você quiser.
Se você quiser.
Sexo em três atos
Outubro 13, 2009
Ato I
Melancolia
Fantasiar com tardes
longas e quentes
com cheiros verdes e
culinária experimental.
Baunilha no teu corpo,
O feijão que queima na
panela esquecida.
E o arrepio tórrido
dos meus sentidos tocados
descobertos, nús, úmidos.
Ato II
Saudade
Daquela coisa quase familiar, de te esperar chegar do trabalho e te levar para a cama. Das roupas que ficavam pela sala enquanto você me levava para o quarto e tirava meus sapatos. Aquelas botas que davam um puta trabalho para tirar. O prazer quase secreto de acordar cedinho só para te ver trocar de roupa, de quando você dormia só duas horas por noite para não perder nem um centímetro do meu corpo.
Ato III
Desejo
Eu o amo. Acho. Ele sempre foi tão doce comigo, tão terno. E o cheiro de tudo que ele evoca toma conta de mim. E tudo fica mais gostoso. Nostálgico. O sexo mais doce que eu já tive, tão cheio de esperas, como se fosse flores vermelhas, tão não consumado e ainda assim. Eu anseio secretamento que ele se torne destino.
Passion Fruit
Setembro 23, 2009
- Eu quero mais – ela tocou o rosto dele com os dedos semiflexionados.
Ele olhou para frente, o dia claro que desmoronava atrás dela, caleidoscópio.
Ela sentia timidamente a barba mal feita embaixo das pontas dos dedos, frios, trêmulos.
Vertigem, o esforço de conter as lágrimas, por que é que o mundo tem que ser tão colorido? - ele pensava, ofuscando.
- Eu vou sentir falta de tudo isso, mas eu preciso de mais. Não, eu quero mais. – Olhou decidida, quase com orgulho de si mesma e sentiu vontade de comer pitangas. Azedas.
- Podemos ir para outro lugar?
- Eu gosto daqui – ela falou enquanto se via enterrar a ponta do pé direito na terra vermelha. Sapato branco, terra vermelha.
- Está muito claro aqui – exposição -, a gente não pode discutir isso em casa?
- Eu estou cansada de ficar fechada – fechada, presa no seu escuro morno aconchego sufocante. O seu amor viscoso, nego, piche, lentamente me englobando. De novo. A cada vez que eu tento me libertar, céu, sol, cor e banho de água fresca. Exposição. Conforto.
- O que… – não deixa essa luz toda entrar em mim que eu não enxergo – O que você quer?
Ela olhou para os olhos dele. Duros, catatônicos, e deixou escapar uma lágrima por aqueles olhos que eram muralhas. Virou para o lado, olhando para o céu na esperança do vento lhe secar.Esfregou o antebraço esquerdo com a mão direita, congelada, sabendo que nada do que falasse o alcançaria realmente. A menos que ela entrasse lá: negro escuro viscoso. Quente. Macio. Onde nada do que ela pudesse falar faria sentido.
- O que eu quero? Eu quero isso – olhou em volta – eu quero acordar e abrir as janelas, respirar a limpidez do dia, cozinhar uma meia dúzia de vegetais cheirosos e fazer sexo depois do almoço, na preguiça da siesta, como se tívessemos o ano inteiro só para isso. A vida inteira. Eu quero sentir como um soco na boca do estômago, de perder o apetite, de chorar por não me caber em mim mesma. De achar que eu vou morrer na ausência. Eu quero aguardar ansiosa o reencontro, o entendimento, o pedido de desculpas, porque sem ele eu definharia jogada na cama por uns dias.
Caleidoscopicamente, o mundo se torce e se retorce atrás dela. Por que é que tem que ser tão colorido, tão intenso? Como é que você consegue viver todo dia com o mundo se contorcendo, se desfazendo sob os pés? Eu não posso mais. Aqueles foram os melhores dias da minha vida, mas eles acabaram comigo. Tudo ruiu, eu estou em ruínas. Você parece uma fênix, um quebra-cabeças. Você se monta, se remonta, se mata e ainda tem sede. Você descansa no meu Aqueronte. É tudo o que eu posso te dar.
- Talvez seja melhor você ir embora mesmo.
- Tem certeza? – ela sentiu os ossos da mão, rijos, congelar ainda mais.
- Não. Eu te amo, mas eu não consigo.
Sentiu-se comprimida, mas e eu? Pegou a mão dele, quente, viscoso, lentamente subindo pelo braço. Conforto. Lacre. Quente. Quente. Quente. Não. Morno. Morno como o ar parado no meio de uma tarde de agosto. Ela abriu os olhos e o puxou pela mão:
- Vem, vamos para casa.
- Mas…
- Esquece isso.
- O brigado.
Eles caminharam abraçados.
Escuro viscoso morno sufoca. Prende. Eu só queria ver o dia.
- Eu também te amo – ela falou, como se ele não tivesse idéia do quanto.
Dr. Jekyll and Mr. Hyde
Setembro 17, 2009
Você já teve medo de quem você é?
Hiato
Setembro 11, 2009
Sem histórias para contar, só me resta imaginar a história de mim mesma.
Em vão.
Eu não tenho a coragem de vivê-la.
Eu me refugio no meu próprio tédio.